Publicado por: Fabiano Medeiros | 30 setembro, 2009

“Descendentes da família Costa Medeiros”, de Laudelino da Costa Medeiros

Laudelino da Costa Medeiros, autor do livrete abaixo reproduzido, era filho de José Inácio de Medeiros (Filho) e Maria Auta Pereira da Costa; neto de José Inácio de Medeiros e Ana Maria Teixeira. Era ele primo em primeiro grau de meus três bisavós paternos: Luís César da Costa Medeiros, Sebastião da Costa Medeiros e Ambrosina da Costa Medeiros.

Laudelino, em foto preservada num dos álbuns de minha bisavó Ambrosina da Costa Medeiros

Laudelino, em foto preservada num dos álbuns de minha bisavó Ambrosina da Costa Medeiros. Identificação feita por Aldemiro Teixeira Medeiros.

Laudelino casou-se com Auta da Costa Medeiros, sua prima em primeiro grau. Auta era irmã de Ambrosina e filha de Sebastião Inácio de Medeiros e Eulália Pereira da Costa.

Maria Auta, mulher de Laudelino

Auta, mulher de Laudelino

Luís César e Sebastião eram irmãos, filhos de Zeferino Inácio de Medeiros e Maria das Dores Pereira da Costa. Ambrosina era filha de Sebastão e Eulália.

José Inácio de Medeiros, cc Ana Maria Teixeira, pasi de:  José Inácio de Medeiros Filho, cc Maria Auta Pereira da Costa (pais de Laudelino da Costa Medeiros).

Zeferino Inácio de Medeiros, cc Maria das Dores Pereira da Costa (pais de meus bisavós Luís César da Costa Medeiros e Sebastião da Costa Medeiros).

Sebastião Inácio de Medeiros, cc Eulália Pereira da Costa (pais de minha bisavó Ambrosinada Costa Medeiros) (Esta minha bisavó casou-se com seu primo, acima, Sebastião da Costa Medeiros.)

* * *

Para obter mais informações sobre a sucessão de Laudelino da Costa Medeiros, acesse as páginas de Medeiros Franke e de Evandro de Andrade Medeiros.

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Laudelino da Costa Medeiros e família: 1. Pradelino da Costa Medeiros; 2. Laudelino da Costa Medeiros; 3. Alcides Franklin da Costa Medeiros; 4. Valdomiro da Costa Medeiros; 5. Florduardo da Costa Medeiros; 6. Eulália da Costa Medeiros; 7. Tádio da Costa Medeiros; 8. Mário da Costa Medeiros; 9. Ataíde da Costa Medeiros; 10. Maria Auta Salles Medeiros; 11. Auta Medeiros; 12. Laudelino da Costa Medeiros; 13. Rosaura da Costa Medeiros; 14. Chininha da Costa Medeiros; 15. Olívia Medeiros. Foto cedida por Nelson Medeiros Franke.

Laudelino da Costa Medeiros e família: 1. Pradelino da Costa Medeiros; 2. Laudelino da Costa Medeiros; 3. Alcides Franklin da Costa Medeiros; 4. Valdomiro da Costa Medeiros; 5. Florduardo da Costa Medeiros; 6. Eulália da Costa Medeiros; 7. Tádio da Costa Medeiros; 8. Mário da Costa Medeiros; 9. Ataíde da Costa Medeiros; 10. Maria Auta Salles Medeiros; 11. Auta Medeiros; 12. Laudelino da Costa Medeiros; 13. Rosaura da Costa Medeiros; 14. Chininha da Costa Medeiros; 15. Olívia Medeiros. Foto cedida por Nelson Medeiros Franke.

DESCENDENTES

da

Família Costa e Medeiros

Rio Negro, Junho de 1936

Estado do Rio Grande do Sul

por : Laudelino da Costa Medeiros

Com o objectivo de que meus filhos e netos, não vivam sempre, na ignorancia da genealogia de sua família; cuja ignorancia, considero muito censuravel, entre pessoas de certa ordem social; motivo porque, deliberei, já no ultimo quartel de minha existência, a escrever esta recordação, que peço conservem em lembrança, para que, nas ocasiões oportunas, não tenham que, constrangidos dizer : – nada sei dos antecedentes de minha familia: Isto considero uma vergonha.

Portanto, os principaes factos que me recordo e mais interessam, são os seguintes:

Nasci, a 21 de Novembro de 1849, no municipio do Herval, Comarca de Jaguarão, na Estancia do Serro do Bahú, pertencente a familia Pereira da Costa; tendo, anteriormente, pertencido a minha bisavó Maria Muniz Amaro da Silveira.

Sou filho do Major José Ignacio de Medeiros, veterano da revolução de 35 (guerra dos farrapos) servindo nas forças legaes, tendo servido sob o comando dos Coroneis Silva Tavares e Chico Pedro.

Minha mãi, Dona Maria Auta Pereira da Costa’sou neto, pelo lado paterno, de José Ignacio de Medeiros e Maria Teixeira Maciel e pelo materno, do Capitão de milicia, Astrogildo Pereira da Costa e Maria Antonia Amaro da Silveira; uns e outros, proprietarios e residentes no referido municipio do Herval. Minha avó Maria Antonia Amaro da Silveira, era filha de Manoel Amaro da Silveira e de Maria Muniz Amaro da Silveira, assim a referida, mais conhecida por velha Amaro, que teve uma existencia de perto de 120 annos, e foi o tronco da familia Amaro da Silveira, hoje, disseminada por todo o Estado. A dita velha Amaro, foi possuidora de grande extenção de campo, abrangendo quasi metade do municipio do Herval, com imensos rodeios de gado (14 leguas de campo). A sua prole foi grande. Seus filhos 7 homens e cinco mulheres; eram os seguintes: Jeronimo Amaro, morto no combate do Seival, guerra dos farrapos; Vasco Amaro, morto na mesma guerra, João Amaro, avô de João Miguel Amaro e Xerxes Campello, residentes em Cerro Chato. Manoel Amaro, pai do Coronel Manoel Barbosa, um dos dusentos officiaes, que na celebre batalha de 24 de Maio, no Paraguay, por estar a cavalaria do exercito brasileiro exausta de cavallos, se reuniram esses dusentos heróes e com uma carga de lança, dissidiram a batalha, a favor do exercito aliado, Juca Amaro, Hilario Amaro e dionisio Amaro. Mulheres: – Maria Antonia, minha avô; Francisca, casada com o Capitão Clementino Luiz de Freitas; dos quaes, são descendentes dos Freitas residentes no Cerro Chato. Balbina, casada com Capitão Antonio Luiz de Freitas; Firmina, casada em primeiras núpcias com Capitão José Theodoro Braga, um valente e em segunda com seu sobrinho Hilario Amaro e Auta, casada com Torres, não me recordo o nome proprio.

(Nota : João dos Martires Torres)

Á 23 de Setembro de 1872, contrahi matrimonio com minha prima irmã, Auta da Costa Medeiros, nascida na mesma Estancia do Cerro do Bahú, a 1 de Novembro de 1854, filha legitima de meus tios Sebastão Ignacio de Medeiros e Eulália Pereira da Costa. Elle official honorario, da campanha do Paraguay, tendo marchado como voluntário da Patria, na Brigada organisada pelo Coronel Manoel Lucas de Oliveira.

Minha mãi, faleceu em Dezembro de 1854, na mesma estancia do Cerro do Bahú, deixando treis filhos: eu com 5 annos, Adelina com 3 annos e José Maria, com poucos dias. Ficamos sob o amparo de nossa bôa e amorosa tia Maria das Dores Costa. Meu pai depois de 5 annos de viuvez, casou com Dona Praxedes Bitencurt, mãi de meu irmão Belmiro Medeiros. Meu pai nos levou, a mim e minha irmã Adelina para sua companhia, com grande desgosto de nossa bôa tia, Maria das Dores, ficou está com José Maria, que faleceu depois de moço.

Passo, agora, a relatar factos tragicos que se deram em nossa familia: – Tendo sido traiçoeiramente assassinado um irmão e genro de meu avô Astrogildo casado com minha mãi, em primeira nupcias, houve represalia por parte da familia, sendo o assassino, também morto; pelo que se originou guerra entre as duas familias que eram ambos poderosas; Costas e Mellos Brabos; cuja guerra terminou pelo assassinato de meu avô Astrogildo; sendo, uma noite, inesperadamente assaltado por um grupo de inimigos, em grande numero, meu avô que era um valente comprovado, resistio, auxiliado por sua eroica mulher, por um fiel escravo e por um filho menino de doze annos de idade. Na fasenda havia muitos escravos, alguns delles muito fieis; porem, com a surpresa do ataque, não se poderam reunir e trataram de se refugiar nos matos proximos a casa. A resistencia durou enquanto houve munição, terminada esta, então puderam os assaltantes, se aproximarem da casa, que era coberta de palhas e atearam-lhe fogo. Nessa emergencia, meu avô com fiel escravo sahiram cercados pelos inimigos, pelejando de arma branca, até que uma bala fraturou-lhe uma perna; não podendo mais resistir, foi trusidado pelos inimigos e tambem, o valente escravo. As mais pessoas da familia, foram poupadas.

Minha avó, teve o animo e resignação de, auxiliada pelos filhinhos, recolherem os corpos das duas vitimas, para uma dependencia separada da casa incendiada. Após esse acto, de eroica resignação, altas horas da noite, seguio a pé rodeada de seus filhinhos, algum de colo e ella grávida da filha mais moça, Maria das Dores, que mais tarde nos servio de amparo, apos a perda de nossa mãi; em direcção a casa de sua mãi Maria Amaro, na distancia de uma legua.

Minha mãi, que era a mais velha da familia, achando-se nessa ocasião ausente de casa. Astrogildo, o menino de doze annos que tão heroicamente se portou na resistencia do pai, é o mesmo que, nas guerras com as Republica Argentina, Uruguay e Paraguay, ligou seu nome a historia, pelos seus actos de valentia: principalmente, no Paraguay, aonde a frente da celebre Brigada ligeira, fez prodigios de valor, no posto de Coronel, sendo agraciado pelo Governo Imperial com o titulo Honorifico de Barão do Asseguá e Brigadeiro honorario do Exercito. Seus irmãos, major Vasco Pereira da Costa, morreu como um heroi, no combate do Estero Rogas (Paraguay) no dia 24 de Setembro de 1867, a frente do corpo que commandava. Era o pai de nosso parente e amigo Malaquias Pereira da Costa, Justino Pereira da Costa, outro heroi, foi morto na Republica Oriental, no sitio da villa de Mello, na guerra do Flores. Dionisio P. da Costa, cahio varado por balas em conflitos, com inimigos, no Asseguá.

Nazeazeno P. da Costa, também homem de brio e valor, muito se salientaram, pela sua honradez, cavalheirismo e generosidade. As tres irmãs, Maria Auta, minha mãi, sendo a mais velha da familia, devido ao seu bom senso, sempre lembrada pelos parentes que a conheceram, durante a sua curta existencia (faleceu aos quarenta e um annos) foi sempre o arbitro entre seus irmãos. Eulalia, minha madrinha e sogra, foi uma santa.

Maria das Dores, foi nossa mãi de criação, após a perda de nossa mãi desvelada e carinhosa. As tres, casaram com tres irmãos, respectivamente José Ignácio, meu pai, Sebastião e Zeferino Ignacio de Medeiros

Minha mãi, deixou aos filhos regular herança, em campo, gado e escravos; porém a sorte foi ingrata comnosco: meu irmão José Maria, faleceu muito moço. Eu não em extravagancia, porém em reveses de negócios, perdi, totalmente meus haveres.

Adelina, casou-se com nosso parente João Salles, muito bom moço e também em bôa posição pecuraria, porém, com a revolução de 93, seu prejuiso foi quasi total.

Minha irmã e eu fomos pela natureza, dotados de animo e resignação: Ella, foi para Pelotas, ella viuvou, porém, soube encaminhar seus filhos, pelo caminho reto do dever e da honra e são hoje umas pessoas de prestimo, brio e vergonha.

Eu, si não recuperei os bens perdidos, ao menos, consegui, pelo amor ao trabalho, o necessario, para não ser pesado a ninguem e considero que, meus bons filhos, com os bons exemplos de seu pai e de sua boa e carinhosa mãi, tem sempre sabido trilhar a estrada do dever e da honradez. Seus pais, não lhes deixarão bens de fortuna, porém, sim, um nome que, jamais terão constrangimento de pronunciar. Peço a todos os meus bons filhos, que nunca se afastem da linha reta, para que sua prole tome a mesma vereda de brio e honradez.

Finalizo, com solene declaração, de que as elogiosas referencias que faço a nossos parentes que se salientaram não é fantasia nem vaidade minha, são reaes e verdadeiras; faço referencia a elles, para que, meus filhos e netos, fiquem sabendo que descendem de uma origem que não os deprime, mas os eleva no conceito público. Para prova do valor de alguns de nossos parentes, vou citar um fato que está nos anaes da história de nossa Patria; relatado pelo insigne escriptor José Arthur Montenegro, no Diario do Rio Grande de 4 de Setembro do anno de 1893 e transcripto no almanaque do Rio Grande do Sul do anno de 1915, pagina 208; sobre a epigrafe BANDEIRA GLORIOSA: Dita bandeira foi oferecida pelos portugueses, residentes em Pelotas, ao primeiro corpo de voluntarios da Patria, organisado pelo Coronel Manoel Lucas de Oliveira, para a guerra do Paraguay, em 1865; cuja bandeira foi oferecida ao Instituto Historico Brasileiro, pelo Coronel Maximiano José do Monte, que a conservava em seu poder, como relíquia desde a terminação da guerra.

Diz, Montenegro: Essa reliquia historica, hoje guardada no Templo Augusto dos Setros Patrias, tremulou em 29 combates. Esse glorioso trapo de seda, desbotado pelos ardentes raios de sól, roto pela metralha e lanças do inimigo, foi alvo muitas vezes do último olhar do moribundo que viu para sempre afastar-se no turbilhão da refrega, lembrando nesse instante derradeiro, os afagos da esposa, ou as cans veneranda de sua mãi.

Sobre essa reliquia querida, pousou esperançoso o olhar dos nossos cabos de guerra, quando, no fragôr das batalhas, em vertiginoso galope guiavam a carga esses temerários gauchos immortalisados pelo heroi GARIBALDI e os nomes de OSORIO, ANDRADE NEVES, VICTORINO MONTEIRO, JOÃO MANOEL C. CAMARA, ASTROGILDO e outros, podem ser evocados ao comtemplar essas cores desbotadas pelo firmo de 29 combates.

Em seguida, diz MONTENEGRO: Esse corpo tomou o numero de 13, sob o commando do Major Vasco Pereira da Costa, morto como heroi no combate do Estero Rojas, a 24 de Setembro de 1867, a frente desse valente corpo de cavalaria que fasia parte da celebre brigada ligeira, comandada pelo Coronel Astrogildo Pereira da Costa, mais tarde Barão do Asseguá.

Rio Negro, Junho de 1936

Laudelino da Costa Medeiros


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